Lilith

Uma das mais famosas figuras do folclore hebreu, originou-se de um espírito maligno tempestuoso e mais tarde se tornou identificada com a noite. Fazia parte de um grupo de espíritos malignos demoníacos dos americanos que incluíam Lillu, Ardat Lili e Iradu Lili. Apareceu no Gilganesh Epic babilônico (aproximadamente 2000 a.C.) como uma prostitua vampira que era incapaz de procriar e cujos seios estavam secos. Foi retratada como uma linda jovem com pés de coruja (indicativos de sua vida notívaga).
No Gilgamesh Epic, Lilith foge de casa perto do rio Eufrates e se estabelece no deserto. Nesse sentindo, mereceu um lugar na Bíblia hebraica (o Velho Testamento Cristão). Isaías, ao descrever a vingança de Deus, durante a qual a Terra foi transformada num deserto, proclamou isso como um sinal da desolação: "Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso".(Isaías 34:13)*
Lilith reapareceu no Talmude, onde uma história mais interessante é contada, onde ela é como a mulher do bíblico Adão. Lilith é descrita como a primeira mulher de Adão. Tiveram um desentendimento sobre quem ficaria na posição dominante durante as relações sexuais. Quando Adão insistiu em ficar por cima, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho, o lar dos espíritos malignos. Conseguiu muitos amantes e teve muitos filhos, chamados lilin. Lá encontrou-se com três anjos enviados por Deus - Senoy, Sansenoy e Semangelof - com os quais fez um trato. Alegou ter poderes vampíricos sobre bebês, mas concordou em ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos.

Uma vez atraída a Adão, Lilith retornou para assombra-lo. Depois que ele e Eva (sua segunda mulher) foram expulsos do Jardim do Éden, Lilith e suas asseclas, todas na forma de incubus/succubus, os atacaram, fazendo assim com que Adão procriasse muitos espíritos malignos e Eva mais ainda. Dessa lenda, Lilith veio a ser considerada na tradição hebraica muito mais uma succubus do que uma vampira e os homens foram alertados para não dormirem numa casa sozinhos para que Lilith não os surpreendesse.
Lilith (um nome que no pensamento popular tornou-se ligado a toda classe de seres demoníacos) foi marcada como sendo especialmente odiosa para o acasalamento sexual normal dos indivíduos que ela atacava como succubi e incubi. Descarregava sua ira nas crianças humanas resultantes de tais acasalamentos ao sugar-lhes o sangue e estrangulando-as. Acrescentavam, também, quaisquer complicações possíveis às mulheres que tentassem ter crianças - esterilidade, aborto, etc. Assim, Lilith passou a assemelhar-se a uma gama de seres vampíricos que se tornavam particularmente visíveis na hora do parto e cuja presença era usada para explicar quaisquer problemas ou mortes inesperadas. Como resultado, os que acreditavam em Lilith desenvolveram rituais elaborados para bani-la de suas casas. O exorcismo de Lilith e de quaisquer espíritos que a acompanhavam muitas vezes tomava a forma de um mandado de divórcio, expulsando-os nus noite adentro.
O mito de Lilith (uma entidade única, ao contrário de toda uma classe de espíritos malignos) ficou bem estabelecido na comunidade judaica durante os primeiros séculos da era cristã. Permaneceu como um item de tradição popular embora pouco tivesse sido escrito sobre ela quando da compilação do Talmude (século 6 a.C.) até o século 10. Sua biografia se expandiu em detalhes elaborados e muitas vezes contraditórios nos escritos dos antigos pais hassídicos. No Zohar, o mais influente texto hassídico, Lilith era descrita como succubus, com emissões noturnas citadas como um sinal visível de sua presença. Os espíritos malignos que empesteavam a humanidade eram, acreditava-se, o produto de tais uniões. Ela também atacava bebês humanos, especialmente os nascidos de relações sexuais inadequadas. Crianças que riam no sono, acreditava-se, estavam brincando com Lilith e daí o perigo de morrerem em suas mãos. Durante esse período, a natureza vampírica de Lilith foi desmistificada; aliás, foi descrita como uma assassina de crianças para roubar suas almas.
As histórias sobre Lilith se multiplicaram durante a Idade Média. Era identificada, por exemplo, como uma das mulheres que foram ao Rei Salomão para que ele decidisse qual das duas era a mãe de uma criança que ambas reivindicavam. Em outros escritos, foi identificada como a Rainha de Sheba. Uma forte crença em sua presença foi encontrada entre os elementos mais conservadores da comunidade judaica do século 19, Lilith reapareceu como uma inimiga sobrenatural do Midnight Sons em vários títulos de histórias em quadrinhos da Marvel Comics.

* Na Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida, o versículo 14 consta como: "E os cães bravos se encontrarão com os gatos bravos; e o sátiro clamará ao seu companheiro: e os animais noturnos ali pousarão e acharão lugar de repouso para si."

MELTON, J. Gordon. O livro dos Vampiros.
Makron Books, São Paulo, 1995, páginas 449, 450 e 451.

 
Glossário
Hassídico: Chassídico. substantivo masculino 1) Rubrica: história da religião.corrente do judaísmo medieval, na Alemanha (sXII-XIII) 2) Rubrica: religião. corrente mística moderna, nascida em meados do século XVIII na Polônia e na Ucrânia, inspirada na Cabala, que forma hoje grupos de militantes na comunidade judaica.
Succubus: Súcubo - adjetivo 1) que se deita ou se põe por baixo na cópula carnal. 2) homem homossexual passivo. 3) que desperta ou realiza desejos sexuais; sensual, lúbrico, luxurioso. 4) Rubrica: morfologia botânica. nas hepáticas folhosas, diz-se do talo ou de seu desenvolvimento, no qual parte de cada folha está coberta pela folha posterior adjetivo e substantivo masculino 5) diz-se de, ou demônio ou fantasma maligno que supostamente toma a forma de mulher e vem perturbar o sono dos homens, premindo-lhes o peito até tolher-lhes a respiração, e não raro mantendo com eles conjunção carnal. 6) que ou aquele que possui vontade fraca, que se deixa dominar ou sugestionar por outra de personalidade mais forte 7) Rubrica: termo jurídico. que ou aquele que é induzido ao crime por outrem, que é sugestionado por outrem para praticar um crime.
Incubus: Íncubo. adjetivo 1) que está em posição deitada cobrindo alguma coisa; que se coloca por cima de alguma coisa. 1.1) que cobre, que choca os ovos. 1.2) Rubrica: morfologia botânica. nas hepáticas folhosas, diz-se do talo ou de seu desenvolvimento, no qual cada folha cobre parte da folha posterior. 2) diz-se de pesadelo que, segundo a crença popular, seria provocado pelo demônio, que assume a forma masculina e se apodera das mulheres adormecidas levando-as ao pecado da carne. adjetivo e substantivo masculino. 3) diz-se de ou demônio a que se atribui esses pesadelos. substantivo masculino. 4) sonho aflitivo que produz sensação opressiva; pesadelo.
 
 
 
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