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Jasmine
corria pelas ruas desesperada, como uma louca, fugindo daquele
que queria transformá-la em imortal. Nem olhava para as pessoas
que estavam nas calçadas, empurrava a todos para que abrisse
caminho. Perdeu a noção de si mesma e não sabia pra onde iria,
apenas queria sumir.
Quase sem fôlego parou em uma praça mal iluminada da cidade.
Olhou a sua volta procurando por alguém. Resolveu sentar-se
em um dos bancos para se recompor.
Estava ofegante, com os lábios cheios de saliva, o coração
batia muito forte, mas sentia uma fraqueza ainda maior, pois
sentia como se seu corpo estivesse morrendo devido a mordida
que aquele monstro lhe deu na noite anterior. Apoiou os cotovelos
em seus joelhos, a cabeça sobre as mãos na tentativa de entender
porquê deixou isso acontecer com ela, quando de repente ouviu
uma voz:
- Então você está aqui, Jasmine! - disse Lucian com um sorriso
malicioso nos lábios.
Jasmine levantou-se assustada, sem forças, quase desmaiando:
- O que... Como você me descobriu aqui? - colocava uma das
mãos sobre o peito, sentindo ele agora batendo mais fraco;
estava também com tonturas.
- Não é difícil eu encontrar as pessoas, Jasmine. Você não
tem como fugir de mim. - dizia se aproximando dela - Você
tem pouco tempo, precisa decidir o que você quer, logo irá
amanhecer.
Ela apenas o olhou, seus pensamentos flutuavam, não lembrava
do que ele estava falando, mas sabia que tinha algo a ver
com vampiros, e ela não tinha decidido se queria ser como
ele, ser uma vampira e matar pessoas para sobreviver.
- Jasmine, você não tem nada a perder. Vai deixar essa sua
vida de prostituta e recuperar sua filha, não é isso que você
quer?
- Sim, é o que eu quero. - dizia aos berros, descontrolada
- Mas isso não te dá o direito de fazer o que você fez comigo,
Lucian.
Ela colocou as mãos sobre o rosto e começou a chorar como
uma criança. Lucian aproximou-se dela e a abraçou.
- Estou aqui para te ajudar. Não vou deixá-la sozinha. Confie
em mim.
Jasmine olhou para o rosto de Lucian com os olhos cheios de
lágrimas, soluçava, mal conseguia balbuciar poucas palavras.
Lucian com suas mãos tocou o rosto de Jasmine, olhou por alguns
segundos e a beijou. Agora ela podia sentir o corpo dele quente,
e seu beijo era apaixonado. Isso durou poucos minutos quando
num instante de fúria Jasmine o empurrou e tentou fugir dele
novamente, quando ele a segurou pelo braço numa fração de
segundos.
- Você pode fugir de mim, Jasmine, mas será somente por hoje,
porque se você não tomar uma decisão, morrerá assim que o
sol nascer.
- Vou ter que ser como você? - perguntava tentando libertar-se
dele.
- Esse é o preço da imortalidade, mas também temos as nossas
vantagens. Já disse pra você confiar em mim, Jasmine.
Ela cedeu a tentativa de fugir dele. Lucian largou do braço
dela e ela ficou andando pra lá e pra cá, apenas suspirando,
nervosa e aflita.
- Está bem, eu aceito ser como você, mas apenas com uma condição.
- Qual?
- Depois de você ensinar tudo o que tem que me ensinar, vai
me prometer que vai me deixar em paz!
- Não, não posso te prometer isso.
- Como não? - sua voz se alterava, queria pular em cima de
Lucina e matá-lo, mas sabia que não podia fazer isso. - Está
bem, está bem... Eu aceito, mas não pense que terá minha gratidão
por isso.
Lucian apenas consentiu com a cabeça, sorriu e se aproximou
dela novamente:
- É isso mesmo que você quer?
- Faça logo... Por favor!
Lucian acariciou o rosto de Jasmine, virou sua cabeça, afastou
os poucos fios de cabelos que caíam sobre o pescoço dela e
lhe deu outra mordida. Jasmine soltou um pequeno grito, mas
logo se entregou à mordida de Lucian.
Ela podia sentir todo seu sangue sendo enviado para ele, sentia
que a morte estava bem mais próxima e desmaiou em seus braços.
Lucian a colocou no chão e cortou seu pulso com os próprios
dentes. Saía um pouco de sangue o qual ele deu para ela beber.
Ela ainda estava inconsciente, mas ao sentir o sabor daquele
sangue, agarrou o braço de Lucian e sugava-lhe freneticamente.
Agora ela percebia todo o sentido de ser um vampiro. O sangue
dele se misturava ao pouco de sangue que ela ainda possuía,
sentia a vida dele fluir, podia sentir e ouvir todos os sofrimentos
das batidas do coração dele, podia sentir que ele entrava
em seu corpo e a possuía por completo. Um filme rodava em
sua mente, sua vida toda passou diante da sua mente e largou
o braço dele quase sem forças.
Seu corpo se contorcia muito, arranhava o chão, gritava e
vomitava um pouco do sangue que adquiriu.
- É apenas seu corpo que está morrendo, Jasmine. Logo isso
irá passar. - dizia sem fôlego e sem forças por ter entregado
seu sangue a ela, mas ele tinha entregado também seu amor
para ela.
Após alguns minutos Jasmine ficou estável, não se mexia e
Lucian podia ver a transformação dela: a mudança no brilho
dos cabelos, dos olhos, da pele, das unhas; a força que o
corpo dela se transformara. Ele sempre adorou ver essa cena,
era como se tivesse feito um filho.
Jasmine acordou e colocou as mãos nos ouvidos e começou a
gritar:
- O que é isso? Meus ouvidos... Que barulhos são esses? É
insuportável...Meus ouvidos dóem.
- Você não tem mais os sentidos iguais aos dos humanos, agora
você pode ouvir muito mais do que você ouvia antes. Você ainda
aprenderá a controlar esses sons e seus novos dons.
- Estou com fome...
- Eu sei que está. - disse Lucian colocando seu braço em volta
dos ombros de Jasmine - Venha comigo, precisa se alimentar
e descansar. Logo irá amanhecer e à noite explicarei tudo
a você sobre essa sua nova vida.
FIM
São Paulo,
24 de maio de 2002.
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