Todo fim
de semana de madrugada ele passava por lá e se sentia muito
atraído, como se algo ordenasse a ele que deveria entrar mata
adentro e ver o que o esperava.
Nicolas era um garoto que todos da pequena cidade achavam meio
louquinho pelo jeito de se vestir, pelas musicas que ouvia,
etc. Era o que ele mesmo chamava de clubber. Roupas, assessórios
e piercings coloridos que brilhavam a noite.
Nos finais de semana, para ir para a dance de costume precisava
passar por uma estradinha escura com um matagal de cada lado,
uma espécie de bosque.
Aquela região à noite era muito perigosa e temida pelo povo,
que dizia que há várias décadas pessoas desapareciam de repente
e que estariam sepultadas ali. Era um tipo de lenda contada
pelas pessoas mais velhas, que todos respeitavam. Todos menos
Nicolas. Ele nunca antes havia acreditado. Até uma noite em
especial.
Apesar de não acreditar nas histórias contadas, todas as madrugadas
que passava por ali se sentia atraído e estranhamente desafiado
a adentrar a mata e ver o que o esperava. Nunca teve coragem
suficiente, mas guardava isso para si.
Certa noite, voltando de uma balada que não tinha sido muito
boa percebeu que enquanto caminhava uma luz o acompanhava. Intrigado,
parou e olhou na direção da luz. Era uma luz fraca, meio azulada
que às vezes sumia por entre as árvores.
Querendo provar pra todos que a lenda era bobagem e pra si mesmo
que não tinha medo daquele lugar, saiu da estradinha e foi caminhando
de encontro à luz, passando por entre as árvores.
Era uma noite de primavera, fazia um calor infernal e mesmo
assim a cada passo que dava, Nicolas sentia-se arrepiado.
Por isso desistiu da idéia e resolveu voltar, mas quando se
virou para ir embora, o caminho já não era mesmo. Ele não estava
mais no bosque, estava num lugar desconhecido, parecia uma floresta,
muito maior do que um simples matagal.
Ao voltar-se para frente, outro susto. Aonde havia árvores agora
estava vazio, uma clareira. A luz que o tinha intrigado já não
existia e a única luz presente era a da Lua, que estava bem
acima dele. O solo exalava um odor forte e tinha grandes imperfeições.
Pequenas montanhas de terra, que lembravam túmulos.
Vendo isso, Nicolas se lembrou da lenda que ouvira e gelou.
Não sabia onde estava, não sabia o que fazer e nem pra onde
ir... |