Estranha Atração - Parte I
Estranha Atração

Parte I
por Camila Moura

Todo fim de semana de madrugada ele passava por lá e se sentia muito atraído, como se algo ordenasse a ele que deveria entrar mata adentro e ver o que o esperava.
Nicolas era um garoto que todos da pequena cidade achavam meio louquinho pelo jeito de se vestir, pelas musicas que ouvia, etc. Era o que ele mesmo chamava de clubber. Roupas, assessórios e piercings coloridos que brilhavam a noite.
Nos finais de semana, para ir para a dance de costume precisava passar por uma estradinha escura com um matagal de cada lado, uma espécie de bosque.
Aquela região à noite era muito perigosa e temida pelo povo, que dizia que há várias décadas pessoas desapareciam de repente e que estariam sepultadas ali. Era um tipo de lenda contada pelas pessoas mais velhas, que todos respeitavam. Todos menos Nicolas. Ele nunca antes havia acreditado. Até uma noite em especial.
Apesar de não acreditar nas histórias contadas, todas as madrugadas que passava por ali se sentia atraído e estranhamente desafiado a adentrar a mata e ver o que o esperava. Nunca teve coragem suficiente, mas guardava isso para si.
Certa noite, voltando de uma balada que não tinha sido muito boa percebeu que enquanto caminhava uma luz o acompanhava. Intrigado, parou e olhou na direção da luz. Era uma luz fraca, meio azulada que às vezes sumia por entre as árvores.
Querendo provar pra todos que a lenda era bobagem e pra si mesmo que não tinha medo daquele lugar, saiu da estradinha e foi caminhando de encontro à luz, passando por entre as árvores.
Era uma noite de primavera, fazia um calor infernal e mesmo assim a cada passo que dava, Nicolas sentia-se arrepiado.
Por isso desistiu da idéia e resolveu voltar, mas quando se virou para ir embora, o caminho já não era mesmo. Ele não estava mais no bosque, estava num lugar desconhecido, parecia uma floresta, muito maior do que um simples matagal.
Ao voltar-se para frente, outro susto. Aonde havia árvores agora estava vazio, uma clareira. A luz que o tinha intrigado já não existia e a única luz presente era a da Lua, que estava bem acima dele. O solo exalava um odor forte e tinha grandes imperfeições. Pequenas montanhas de terra, que lembravam túmulos.
Vendo isso, Nicolas se lembrou da lenda que ouvira e gelou. Não sabia onde estava, não sabia o que fazer e nem pra onde ir...
 
 
site criado por Tânia Carmonario