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Ricardo
sempre foi um rapaz muito bonito. Ainda bebê sua mãe o colocou
para fazer comerciais pra TV. Na adolescência desfilou para
várias grifes e fez muitos trabalhos como modelo. Ele apenas
desistiu da carreira por considerar "cansativa" demais e por
ganhar pouco. "Se fosse mulher, a história mudaria de figura",
dizia alegando que no mundo da moda as mulheres que estão
com os melhores cachês. Preferiu a área de informática. "Dá
dinheiro!", dizia que era a única coisa que se importava em
sua vida.
Sempre teve muitas mulheres em sua vida. Não precisava fazer
nenhum esforço para consegui-las, bastava apenas aparecer
em qualquer lugar que a mulherada já caía a seus pés. "É como
uma mágica, um estalar de dedos e elas estão à minha volta",
dizia orgulhoso.
Ricardo, no auge dos seus 25 anos, era alto, um metro e noventa
de altura, pesava um pouco menos que oitenta quilos, cabelos
pretos, ondulados e levemente compridos, olhos verdes amendoados.
Seu corpo foi esculturado por anos de vôlei e natação, nunca
curtiu ficar musculoso como "Stallones" ou "Bambans" da vida,
mas seus músculos eram bem definidos, principalmente o do
abdômen e tinha pernas grossas, além de não possuir quase
nada de pêlos no peito. "As mulheres adoram homens de peito
lisinho", gabava-se.
Já fazia duas semanas que a sua última namorada havia rompido
o relacionamento de quase dois anos. Ricardo nunca foi fiel,
ela não agüentou tanta malandragem da parte dele que resolveu
terminar, achando que ele fosse correr atrás dela. Ele não
dava a mínima para as mulheres. Queria mesmo era se divertir.
Mesmo com essa pompa toda, sentiu-se sozinho, mas não queria
dar o braço a torcer e procurar a "velha companheira". Já
que morava sozinho, resolveu ficar em casa à noite, numa sexta-feira
quente de São Paulo.
Ele ouvia muitas conversas sobre encontro "casuais" via internet,
mas nunca teve vontade para ver se isso era verdade, e nessa
noite decidiu que iria "bater um papinho" na grande rede para
ver se rolava um encontro legal, com sexo, é claro. Era disso
que ele mais precisava naquele momento.
Entrou numas dessas salas de bate papo, de um grande provedor,
e escolheu uma sala de sexo para heterossexuais. Usou um pseudômino
de "Moreno Gostoso" para ver qual seria a reação das mulheres.
Ao entrar, percebeu que boa parte das pessoas que estavam
naquela sala era homens, e quando "puxava papo" com alguma
mulher, a mesma se dizia "estou ocupada". Ficou observando
as pequenas conversas durante alguns minutos. Quando estava
pra sair, percebeu que uma mulher entrou na sala com o pseudômino
de "Vampira". Não deu outra, resolveu logo atacar a "vítima".
******
Moreno
Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:22): Oi!
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:23):
Oi...
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:24):
Está ocupada?
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:24):
Não...
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:25):
Gostaria de chupar o meu sangue?
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:25):
Na verdade o termo não seria "chupar", mas sim "sugar" todo
o seu sangue. Você deixaria eu sugar todo seu sangue?
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:26):
Claro! Tudinho! Até a última gota.
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:26):
Olha que essa sua proposta é tentatora.
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:27):
Mas é isso mesmo que eu quero! Quero fazer você vir até aqui
para sugar meu sangue.
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:28):
Cuidado com pede, rapaz. Você pode se arrepender.
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:29):
Me arrepender? Do quê? Difícil. Tá afim mesmo?
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:30):
Claro que estou! Sangue é o que eu mais preciso agora.
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:31):
Qual seu nome?
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:33):
Vamos deixar essa história de nome de lado. Onde me encontro
com você?
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:35):
Me encontrar? Não. Eu moro sozinho. Venha pra minha casa.
Vampira fala reservadamente para Moreno Gostoso (22:37):
Você está me convidando pra eu ir até sua casa? Olha, cuidado
com que pede... Eu só preciso ir à sua casa se for mesmo convidada...
Moreno Gostoso fala reservadamente para Vampira (22:38):
Estou convidando, venha pra cá. Anota o meu endereço.
*****
Ricardo
deu seu endereço para aquela "desconhecida", empolgadíssimo
com que poderia acontecer. Trocaram informações sobre descrição
física de cada um e, marcaram para ela estar em seu apartamento
daqui uma hora. Nunca tinha feito isso antes, achou que seria
interessante. "Pela descrição que ela deu, deve ser maravilhosa",
pensava.
Olhou a sua volta e notou que seu apartamento estava a maior
bagunça e, a faxineira só iria pra lá na segunda-feira. Deu
um trato no "apê" o mais rápido possível, tinha que tomar
um banho e ficar bem gostoso pra ela.
De banho tomado, vestindo uma calça jeans nova, camisa cáqui
de mangas curtas, sapato de camurça, estava ansioso esperando
aquela que iria realizar todas as suas fantasias. "Está atrasada",
reclamou.
Ao toque do interfone, Ricardo saiu correndo, deixando cair
alguns objetos da sala no chão, e foi atendê-lo:
- Alô.
- Tem uma tal de "vampira" aqui embaixo. - dizia o porteiro
ironicamente.
- Pode mandá-la subir.
Desligou o interfone, suava de nervoso, não sabia onde colocar
as mãos. Colocou os objetos que derrubou em seu lugar. E ficou
próximo à porta, esperando a campainha tocar.
A campainha tocou. Ajeitou o cabelo, a roupa e foi abrir a
porta.
Ela era a mulher mais linda que ele já viu em toda a sua vida.
Muito mais bonita do que a descrição que ela deu. Uma morena
de cabelos longos, lisos, com uma leve franjinha que caía
sobre sua testa. Alta, por volta de um metro e setenta e cinco,
usava um vestido preto, semitransparente, de alcinhas, colado
por todo seu corpo, o qual também podia ver a lingerie de
rendas, pequena e preta que ela usava. Uma sandália preta
de salto fino, 15 cm; segurava uma pequena bolsa de mão, também
preta; olhos verdes amarelados, nariz pequeno, boca carnuda
sob um batom vermelho; pele branca, alva. Usava um pequeno
crucifixo de prata no pescoço, o qual caía sobre seus seios
grandes e fartos.
Ela estava encostada à parede, com uma das mãos na cintura,
olhando pra ele de cima pra baixo.
- Não vai me convidar para entrar? - disse para Ricardo. Sua
voz era rouca, mas suave.
- Claro! Desculpe-me. Entre.
Entrou admirando o apartamento. Observando cada detalhe do
lugar.
- Você tem um apartamento bem aconchegante, rapaz.
- Obrigado - dizia sem graça com tanta beleza que via naquela
mulher.
- Estou vendo que você não mentiu pra mim quando disse como
você era fisicamente. Você realmente é um gato. - dizia sentando-se
no sofá e cruzando as pernas.
- Obrigado...
- Não fique aí parado, rapaz. Eu vim aqui para sugar o sangue
que você me ofereceu.
Ricardo aproximou-se da mulher sentada no sofá e se ajoelhou
para beijá-la. Era um beijo lento, saboroso e doce. Ficou
excitado. Ela o tocava por todo seu corpo, sentindo cada músculo,
sentindo seu cheiro.
Violentamente ela trocou de lugar com ele. Colocou-o no sofá
e rasgou sua camisa. Beijava todo seu peito. Ricardo delirava.
Não conhecia aquela mulher, nunca viu na vida, era linda e
louca por sexo, uma perfeita tarada. Era isso que ele queria.
Tudo foi acontecendo muito rápido. Num segundo os dois já
estavam nus. Ela por cima dele, rebolando e sorrindo pra ele,
ora colocava suas próprias mãos em sua boca, ora pegava as
mãos de Ricardo e as beijava. Sempre o olhando com jeito de
sapeca. "Quem será ela? Qual seu nome?", pensava Ricardo.
- Já disse para deixarmos essa história de nomes de lado,
rapaz. - ela disse.
Ricardo ficou confuso. Será que ela podia ler seus pensamentos?
Mesmo assim continuou a sua transa que estava tão boa. "Nomes?
O que importa agora?", pensava excitado. Percebeu que seu
corpo era muito mais branco quando a viu em frente à sua porta,
não tinha marcas de biquíni, quase sem pêlos no corpo todo.
Suas unhas eram transparentes e brilhantes. Mas seu corpo
era perfeito, bem torneado, seios grandes e fartos, coxas
grossas, pés pequenos, mãos pequenas. "Linda!", era a única
coisa que pensava naquele instante.
Quase chegando ao auge daquela transa "maluca e gostosa",
a mulher disse:
- Você vai mesmo me dar seu sangue?
- Claro! Dou o que você quiser. - dizia ofegante, quase perdendo
a respiração.
A vampira baixou-se rapidamente em direção ao seu pescoço,
dando-lhe uma mordida, a qual ele começou a gritar furiosamente.
Ela colocou sua mão em sua boca para que seu grito fosse abafado.
Ricardo só sentia dor e êxtase ao mesmo tempo, mas ficou assustado.
- O que você está fazendo comigo? - disse empurrando a mulher.
- Você me prometeu seu sangue, lembra? - disse com os lábios
cheios de sangue.
Ricardo começou a gritar feito louco, tentando tirar aquela
mulher de cima dele. Ela fez o um sinal de silêncio, e disse:
- Schssss... Tarde demais queridinho! - debruçou-se novamente
em seu pescoço e sugou o resto do sangue de Ricardo.
Ela levantou-se, colocou seu vestido preto, as sandálias,
ajeitou seus cabelos, retocou o batom e olhou para Ricardo
que ainda estava nu, estirado ao chão, os olhos arregalados,
a boca semi-aberta, ainda respirando com muita dificuldade,
sentindo sua vida fluindo, falecendo.
- Eu disse pra você que tinha que tomar cuidado com que pedia,
rapaz. Disse que você poderia se arrepender. - jogou um beijo
pra ele, e foi embora.
São Paulo,
19 de abril de 2002.
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