|
- Meu
Deus! O que foi que você fez?
- O quê?
- Você o matou!
- Ora, o que você está me dizendo?
- Que você o matou!
- Tinha que matá-lo. Era ele ou nós...
- Mas e agora?
- Agora o quê?
- Temos que nos livrarmos no corpo!
- Livrarmos do corpo?
- É, seu idiota. Ou você quer que os outros nos achem?
- Claro que não.
- Então por que você o matou justo aqui?
- Mas já disse que foi para nos salvar!
- Aqui?
- É, aqui, oras!
- Os outros virão até aqui para nos matar, esqueceu?
- Puxa vida! Como então vamos nos livrar do corpo?
- Não sei. Foi você que o matou, se vira!
- Você tem que me ajudar...
- Não podemos sair daqui agora...
- É mesmo...
- Já sei! - O quê?
- Temos apenas um único jeito!
- Qual?
- Não sei se você irá gostar, mas só temos esse!
- Me diga logo, cara!
- Tem certeza?
- Claro que tenho. Você está me deixando angustiado...
- Vamos ter que comê-lo!
- Você está louco? Não vou comer ninguém!
- Claro que vai!
- Não vou não...
- Mas se não fizermos isso, os outros virão até aqui.
- Que se danem os outros. Que venham nos pegar. Não vou comer
ninguém!
- Você é um idiota. Mata um deles justo aqui no nosso esconderijo...
E agora não podemos sair a luz do dia... E enterrá-lo! Não
podemos deixar nenhum vestígio...
- E daí?
- Vamos comê-lo, é o único jeito para aqueles caçadores não
virem até aqui. Já que sugamos sangue de humanos, também podemos
comê-los, não?
- É mesmo... Então vamos!
FIM
São Paulo,
9 de abril de 2002.
|