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Não
há melhor época do mundo, morando no Brasil, que o Carnaval.
Bom, pelo menos pra caçar, já que eu odeio carnaval.
Estou eu em São Paulo já alguns anos, então fui ao Sambódromo
do Anhembi, mas precisamente na dispersão das escolas de samba
para fazer as minhas vítimas.
Muita gente circulando pra lá e pra cá, aquela muvuca louca,
onde ninguém nota se tem alguém morto ou não, por causa daquela
quantidade enorme de bebida que rola por lá. E com tantas
pessoas caídas no chão e cansaço ou de bebedeira mesmo.
Já era de madrugada e já tinha feito umas quatro vítimas,
quando avistei algo que me deixou totalmente deslumbrado.
Uma bela mulher, com o corpo esculturado por anos de academia,
seios fartos, pele morena do sol, com apenas a marca da calcinha
do biquíni, cabelos longos e castanhos, ondulados até as costas.
Estava vestida de anjo. Mas um anjo pervertido, pois usava
um conjunto de biquíni com pedras brancas, deixando seus belos
seios à mostra. Uma linda sandália prateada de salto alto,
uma coroa na cabeça e não podia deixar de faltar: as asas
brancas de um anjo em suas costas.
Fiquei observando-a se preparando para o final de seu desfile.
Seu corpo estava todo suado, o que me deixava ainda mais excitado
com aquela beleza que andava a minha frente.
Ela olhou pra mim, com um ar de garota sapeca, que sabia que
eu estava ali somente pra vê-la.
Olhei-a fixamente por alguns instantes e ela se aproximou
de mim. Agarrei seu corpo perto ao meu com muita força e com
vontade de possuí-la ali mesmo. E ela estava mais excitada
do que eu que logo tocou em meu órgão sexual - meio brega
esse termo, mas é melhor do que ser muito obsceno - fiquei
louco pelo seu cheiro de suor, pelo seu sabor de suor, pelo
seu sangue quente, cheia de sexo.
A penetrei ali mesmo, com todas aquelas pessoas por lá. Era
muito louco eu imaginar que um demônio como eu poderia estar
possuindo um anjo. Era engraçado.
Ela se curvava, suspirava, gemia, era uma loucura. Suas unhas
arranhavam-me os ombros. Seu beijo era forte, mas ao mesmo
tempo era terno e doce. Um sabor delicioso. Fui possuindo
aquela mulher da maneira mais selvagem que podia, e ela pedia
mais. Seu êxtase foi sublime. Podia sentir todo seu corpo
entregar-se ao meu prazer.
Ela olhou dentro dos meus olhos e pude notar que seus olhos
eram levemente amarelados, o que combinava ainda mais com
a cor de sua pele. Ainda estava ofegante. Parecia apaixonada.
Era ainda mais linda pra mim.
Dei um beijo longo e demorado em sua boca carnuda e vermelha.
Nos despedimos ali mesmo.
Pela primeira vez em séculos de vida nunca transei com uma
mulher sem fazê-la de vítima, sem matá-la. Adorei mesmo assim,
mas preciso fazer outra vítima antes do amanhecer, pois aquela
mulher, ou melhor aquele anjo de mulher, me deixou com fome
- risos.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2002.
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