Alexia Bukovena
Alexia Bukovena
 

- Magnífico! Estupendo! - dizia aquele homem magro, de cabelos curtos com gel, todo penteado pra trás, de blazer preto, calça preta e camisa branca. - Você é sensacional, Alexia! Somente você é capaz de fazer uma obra-prima dessas! Os chefes ficarão satisfeitos.
- Obrigada, Urbano. - Alexia limpava os pincéis no copo com água e enxugava-os numa toalha velha toda suja de tinta. "Seu desgraçado! Pensa que me engana?", pensava. - olhava para Urbano com desprezo.
- Ligarei imediatamente para eles. Adorarão a notícia. - atravessou o grande salão de tacos lisos e grandes, fazendo barulhinhos com seus sapatos de bico fino, até a mesinha de telefone que se encontrava do outro lado.
Alexia apenas ficou olhando para o quadro que acabava de pintar. Era uma falsificadora exímia. Sua mais nova obra-prima era um Caravaggio, falsificado nos mínimos detalhes, até mesmo um expert seria incapaz de perceber que era falso.
Ajeitou os longos cabelos loiros e ondulados, prendendo-os acima da nuca. Pegou um cigarro, o acendeu e deu uma pequena tragada. Pensava nos longos anos de sua vida de vampira. Uma condição que nunca a agradou. Mas que teve de aceitá-la para poder viver, ou melhor, sobreviver, pois acreditava que quando era humana, mortal, vivia muito melhor. Não devia favores a ninguém. Muito menos matava pessoas para se alimentar. Agora além de ser uma morta-viva, era uma falsificadora de quadros raros, tudo para agradar o seu clã, e se vingar de quem a criou.
Ouviu um pequeno barulho que vinha da rua. Foi até a janela para ver o era. Viu quatro homens vestidos de preto entrando no prédio.
- Urbano! - chamou-o gritando - Saia deste telefone já! Esconda-se!
- O que foi? - disse assustado, largando o telefone de lado, sem desligá-lo, obedecendo ao pedido de Alexia.
- Ssshhhhh. - Ela se colocou atrás da porta a espera do que estava para acontecer. - Esconda-se, seu idiota! - sussurrou para Urbano.
- Onde?
- Em qualquer lugar! No armário, sei lá, mas esconda-se! - pegou sua espada, apagou as luzes e ficou em posição de ataque. Urbano foi esconder-se.
A porta se abriu a pontapés. Os quatro homens entraram no apartamento gritando como guerreiros. Todos estavam vestidos de preto, como ninjas, e estavam armados com facas e espadas.
- É a mim que vocês estão procurando? - disse Alexia próxima à porta, irônica, dando um golpe com sua espada no homem que estava mais próximo dela, arrancado sua cabeça de uma vez só. - Quem será o próximo?
Os outros três saíram correndo em direção a janela, que dava para a escada de incêndio para tentarem fugir, mas Alexia voou para cima de um deles e o agarrou pela gola de sua roupa, jogando-o para o outro lado do salão, de encontro com a parede. Os outros dois escaparam.
Foi em direção dele, pegou novamente pela gola da roupa e disse:
- Quem foi que o mandou aqui? - gritava e batia as costas do homem de contra a parede.
- Não me mate, por favor! - desesperava-se.
- Quem? Seu desgraçado! - sua raiva era tanta que acabou rasgando a blusa que o homem vestia, deixando a amostra uma pequena corrente de prata. Alexia olhou indignada para corrente, pegou no pingente, uma pequena rosa envolta numa cora de Jesus, e analisava-o pensativa: "Hum, Rosa-Cruz? Achei que essa ordem tinha desaparecido. Então aquele caçador de vampiros desgraçado está de volta!" - Você é da Rosa-Cruz? - batia-o com mais força na parede.
- Não me mate!
- Não irei matar você! Você é da Rosa-Cruz?
- Sim, sou. - dizia chorando em desespero.
- Onde vocês ficam? Fala! - No...No...Metrô...Num beco lá dentro...
- Qual metrô?
- Qualquer um, pois estamos em todos eles...
- Hum... Tenho um recadinho para o seu chefe... - mordeu o pescoço do homem, sugando-lhe seu sangue até seu coração quase parar de bater. - Agora você está fraco e com poucas horas de vida - dizia em seu ouvido - largou-o e ele desmaiou.
- Urbano! Saia de onde você está! - gritava.
Urbano estava escondido no armário da pia da cozinha.
- Sim, sim, Alexia. - saía tropeçando-se pelo caminho.
- Ligue novamente para os chefes. Diga a eles que estamos com problema.
- Problema?
- Sim. Aquele caçador desgraçado da Rosa-Cruz está na cidade. Veja isto. - agachou e puxou a corrente que estava no pescoço do homem desmaiado. - Mas antes chame dois sentinelas aqui, vou precisar de um pequeno favor deles.

****

Um carro atravessa a cidade em alta velocidade, passa por um metrô e joga o corpo do homem enrolado num tapete velho e imundo.

****

- Mestre! Mestre!
- O que foi, Angus? - um homem alto, magro, com idade entre 35 e 40 anos, cabelos grisalhos e longos, barba e bigodes grisalhos, está sentado numa velha cadeira de madeira maciça, acendendo um cachimbo.
- Veja o que encontramos perto daqui. - dois homens encorpados, carregam o corpo do homem enrolado no tapete.
- O que é isso? - pergunta admirado e assustado aos dois homens, e eles jogam o corpo no chão sem dizer uma palavra. - Abram esse maldito tapete! - gritava furioso.
Viu que era um de seus caçadores e que estava ferido com uma mordida de vampiro no pescoço. Ele estava sangrando muito pelo peito também. O mestre ordenou que rasgassem a camisa dele para ver o que era aquele sangue, havia um pequeno recado no peito do caçador, feito com cortes de canivete: "Venha me pegar, seu desgraçado!"
- Aquela bastarda! Eu a mato!

FIM

São Paulo, 15 de outubro de 2002.

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